Uma análise das letras dos hinos do Cantor Cristão

Reparando que alguns dos hinos que costumamos cantar têm letras confusas ou até mesmo antibíblicas, resolvi analisar todo o Cantor Cristão para localizar todos os lugares em que tais problemas ocorrem. Comento cada ocorrência e no caso dos hinos conhecidos, sugiro alterações nas letras ou não cantarmos mais alguma das estrofes. Um cantor cristão não vai querer cantar mentiras ou bobagens, pois sabemos que a mensagem de um hino precisa ser clara e bíblica para ser útil, edificante e agradar a Deus (I Cor 12:7; 14:15, 26b). Embora compreendendo e levando em conta que o letrista possa utilizar de uma linguagem poética, figurada, a letra de um hino não pode expressar conceitos doutrinários heréticos. Damos grande valor ao Cantor Cristão e pretendemos continuar a prestigiá-lo em nossos cultos, pois possui letras e músicas maravilhosas. Todavia, como tudo que é obra de homens possui, nele encontramos erros e falhas. Vamos identificar e eliminar o que não serve e aproveitar o que ele tem de bom, o que alias é a sua maior parte.

 

  Hino n.º 11 – a 4ª estrofe afirma que os filhos de Deus são réus, o que não é bíblico (Romanos 8:1; João 5:24).

Hino n.º 19 – a 4ª estrofe afirma que o País se converterá. Outros hinos caem neste mesmo erro (439, 440).

Hino n.º 31 – a 4º estrofe e o estribilho são confusos. Na estrofe, a letra afirma que será uma alegria se Cristo disser ao crente que há um lugar para ele no céu. Já o estribilho pede para Jesus vir habitar na alma do salvo. Quanto à palavra “presépio” não há problema, pois significa apenas estábulo.

Hino n.º 36 – a 3ª estrofe afirma que fomos adotados pelo Filho, mas o correto é que fomos pelo Pai (I João 3:1).

Hino n.º 73 – a 3ª afirma que ficaremos para sempre nos céus com Jesus, mas a Bíblia ensina que os crentes retornarão para a Terra (I Tessal 4:14; Apoc 5:10). Sugestão: trocar “então com Ele sempre” por “então bem junto a Ele”.

Hino n.º 88 – a 3ª estrofe diz que Jesus passou por dura escravidão, o que não tem base bíblica.

Hino n.º 90 – a 3ª estrofe afirma que “fui um vil perseguidor de Jesus”, o que só alguns foram. Se você foi, cante!

 

Hino n.º 116 – é confuso, pois as estrofes falam ao Espírito Santo, mas o estribilho dirige-se a Jesus!

Hino n.º 117 – a 2ª estrofe pede para que o Espírito Santo nos mostre como O adorar. Veja João 16:13,14.

Hino n.º 120 – a 2ª estrofe pede aos crentes para deixarem os seus vícios!

Hino n.º 133 – a 2ª estrofe afirma que “na cidade mui gloriosa reina Cristo”, mas Ele atualmente reina no Céu. Só no futuro, após o Milênio, Ele reinará aqui na Terra numa cidade gloriosa (Hebr 12:2; Apoc 20 e 21) ¹.

 

Hino n.º 144 – chama Jesus de “pão divino”, mas também de “vinho puro”, o que lembra da doutrina herética da transubstanciação ².

Hino n.º 147 – a 1ª estrofe e mais ainda a 2ª fazem afirmações esquisitas ³.

Hino n.º 153 – contém dois absurdos. A 1ª estrofe diz “conquista a Tua igreja ao meu país”(!) e a 3ª pede que Jesus dê perdão aos que rejeitam a cruz, a graça e a salvação”, o que é impossível 4.

Hino n.º 159 – Jesus nos ensinou a orarmos ao Pai em Seu nome (Mateus 6:9; João 14:13-14; 15:16; 16:23-24). Por isso sugiro trocar “Dirijo a Ti, Jesus” por “Dirijo a Ti, ó Pai” nas três primeiras estrofes.

 

Hino n.º 160 – pela mesma razão dada para alterarmos o hino anterior, sugiro trocarmos “Jesus” por “o Pai” tanto nas estrofes como no estribilho deste hino.

Hino n.º 161 – contém dois absurdos. A primeira estrofe define a oração como endereçada a Jesus, erro este comentado no hino 159. A terceira estrofe pede coisas já concedidas a todos os salvos (I Cor 6:19) 5.

Hino n.º 167 – é desnecessário o crente pedir para Jesus nele habitar, como consta no final do estribilho. Sugestão: trocar a frase final para “Eu te adoro, sempre declaro: Te serei grato até o fim” ou “Eu te adoro, sempre imploro: Tenhas misericórdia de mim”.

Hino n.º 168 – apesar de muito popular, carece de base bíblica e é injusto para com Deus.

 

Hino n.º 171 – hino do início do século passado possui forte conotação carismática incompatível com nossa postura diante do atual contexto evangélico. Sugestão: trocar o final do estribilho por “Aumenta o interesse de todos nós pelo Teu galardão”.

Hino n.º 177 – a 1ª e a 3ª são lindas, mas a 2ª estrofe é confusa. Sugestão: não cantar a segunda estrofe.

Hino n.º 179 – Sugestão: trocar “a graça” por “as graças” no final da segunda estrofe.

Hino n.º 198 – o dia em que eu entender o que quer dizer “salva até por meio de um olhar” eu volto a cantar este hino!

Hino n.º 201 – por ser um hino evangelístico, sugiro trocar no estribilho a palavra “importa” de significado pouco conhecido, pela expressão “é preciso” e, na frase final, por “precisa renascer”.

 

Hino n.º 248 – o incrédulo não é filho de Deus (Mat 13:38; João 8:44; 1:12) e portanto a premissa básica desse hino é falsa.

Hino n.º 256 – 4ª estrofe: o incrédulo não é irmão dos salvos (Mat 13:38; João 1:12; 8:44; I João 3:8).

Hino n.º 263 – Cuidado: este hino expressa o desejo de um pecador ganhar a salvação e, portanto não é adequado aos já salvos. Imagine uma igreja cantando um pedido de salvação para os seus membros!

Hino n.º 264 – Este é o hino oficial dos crentes excluídos. Vamos deixá-lo para eles cantarem se quiserem!

Hino n.º 272 – a letra ficará menos confusa se colocarmos todas as aspas necessárias.

 

Hino n.º 274 – a primeira estrofe deste hino tão apreciado é antibíblica, pois um incrédulo não é filho de Deus (veja o comentário do hino 159). Pior ainda é cantarmos este hino por ocasião de batismos, pois “mais um remido não entra no céu” ao se batizar, mas sim quando ele falece. Sugestão: não cantarmos a primeira estrofe e mudarmos o final do hino para “por mais um pecador ganhar os céus”.

Hino n.º 280 – devido ao confuso contexto religioso atual, sugiro trocarmos “curado já fiquei” por “num salvo me tornei” ou “o perdão eu alcancei”.

Hino n.º 289 – quando compreender o significado da expressão “salvo além do rio” eu volto a cantar este hino. Desconfio que foi só para rimar 6.

 

Hino n.º 315 – na segunda estrofe, o crente pede a Deus que o livre da perdição, o que é no mínimo uma bobagem (João 5:24; Rom 8:1) 7.

Hino n.º 328 – este é um daqueles hinos que cantamos há anos. Peço aos irmãos que leiam com atenção e confiram como a letra é confusa. Conforme Hebr 13:5 não precisamos pedir para que o Mestre fique conosco.

Hino n.º 335 – logo na primeira estrofe, precisamos corrigir de “na força do mal” para “da força”.

Hino n.º 343 – este belo hino tem um final estranho. No final do estribilho diz “vou perecendo longe da cruz”, o que sugiro mudar para “pois mesmo em meio a muitas lutas, em Ti confiar insisto” 8.

 

Hino n.º 381 – na 2ª estrofe, cantamos que devemos “olhar com simpatia os erros de um irmão”. Sugestão: “olhar com seriedade os erros de um irmão, mas todos …”.

Hino n.º 399 – na primeira estrofe diz que Jesus na cruz “foi morto”, mas na verdade Ele deu a Sua vida quando e porque assim o quis (João 10:17-18; 19:30; Lucas 23:46).

Hino n.º 402 – Cantamos este hino supondo que a “escrava resgatada” é uma igreja, a nossa igreja ou todas as igrejas verdadeiras. Neste caso, pensemos: antes de ser “resgatada’, a igreja em Jabaquara foi uma igreja de quem? Quando chegarmos a um acordo sobre esta questão voltaremos a cantar este hino em nossos cultos.

Hino n.º 426 – Nossas orações devem ser dirigidas ao Pai. Por este motivo sugerimos alterar o estribilho de “Aceita-nos, Senhor, querido Salvador!” para “Aceita-nos, Senhor, nosso bondoso Pai!”.

 

Hino n.º 431 – na segunda estrofe, o incrédulo é chamado de nosso irmão, o que não é bíblico.

Hino n.º 456 – Este famoso hino afirma que a igreja que o canta é a Esposa de Jesus. Entretanto aprendemos que a “Esposa” será um grupo seleto formado pelos mais amorosos crentes de todas as épocas, que terão o privilégio de não apenas visitar a Santa Cidade, a Nova Jerusalém, mas de nela habitar permanentemente (Apoc 19:7; 21:1,2,9,24 – 22:3).

Sugestão: na 1ª estrofe, trocar “ela é a mui amada Esposa” por “ela é a embaixatriz”. Na 3ª estrofe, trocar “ó Esposa do Senhor” para “ó porta-voz do Senhor”.

 

Hino n.º 502 – Na 2ª estrofe encontramos “estarei para sempre ali no céu”, o que não bate com os ensinos bíblicos (Apoc 5:10; I Tessal 4:14) e portanto cai no mesmo erro do hino n.º 73.

Hino n.º 507 – No estribilho encontramos “quando Deus me acordar”, o que é antibíblico e lembra muito o ensino da seita chamada “Testemunhas de Jeová” 9.

Hino n.º 516 – este hino é o pior, o ‘Campeão das Abobrinhas’. Leia (mas não cante!) e confira 10.

Hino n.º 518 – este hino apenas confunde Jerusalém com o Céu. Só isso!

Hino n.º 519 – cai no mesmo erro do hino 507. Sugestão: na terceira estrofe, trocar “quando então eu acordar” por “quando daqui eu me ausentar”.

 

Hino n.º 520 – seu título, “Canaã Celeste” já indica que traz a idéia de uma outra Terra, o que é uma bobagem.

Hino n.º 522 – as crianças que morrerem salvas não continuarão “infantis” lá no céu, como afirma a 6ª estrofe.

Hino n.º 527 – este cântico começa afirmando algo que não tem base bíblica.

Hino n.º 580 – infelizmente o Cantor Cristão termina de forma deprimente, com os crentes pedindo a Jesus que faça uma visita a igreja, lembrando melancolicamente de Apoc. 3:20! Não dá para concientemente cantarmos este hino, embora tenha uma música tão linda.

 

Este artigo é de autoria do Pastor Márcio Luiz Floriano, da Igreja Batista Missionária em Jabaquara, que é situada à rua Taciba, 100 – São Paulo, SP. CEP 04351-070, encontrado no site http://www.pibjo.org.br/pdf/bib/mf07.pdf

 

 

Comentários meus:

 

Desconheço o pastor Marcio, fiquei muito alegre ao encontrar este comentário dele na internet, pois infelizmente o cuidado com as coisas de Deus são cada vez menores, enquanto Deus requer de cada um dos Seus servos a diligência; escrevo parabenizando ao pastor e fazer uns comentários a este artigo.

 

1. uma boa alternativa é trocar “reina” por “reinará”.

2. a doutrina da transubstanciação ensina que após o dirigente proclamar certas palavras literalmente o pão se torna corpo e o vinho o sangue de Cristo.

3. de fato, as afirmações da segunda estrofe são são tão claras, analisando o contexto do hino penso que ele faz o paralelo entre a morte símbolica do batismo e a morte física real, por isso, que pede ao Senhor que nos levante do mal, isto é, da morte espiritual, já que só o Senhor pode vivificar alguém.

4. pedir perdão aos que rejeitam a salvação e a cruz são os erros mais lamentáveis e imagináveis, seria possível salvação sem Cristo? E se a pessoa não passa por Ele como poderia ser salva? O Senhor Jesus é o Único Salvador, o Único meio de Salvação, sem Ele sem salvação, outra observação a cruz não é rejeitada pelo crente, no CC há várias menções à cruz de Cristo, pois lá Ele entregou a vida dEle para a salvação de todo aquele que nEle crer.

5. o erro de pedir que o Espírito ou que o Senhor Jesus habite, permaneça ou que não saia do crente é o mais comum do CC.

6. a expressão de passar pelo rio é na linguagem poética para a morte, este tipo de linguagem aparece várias vezes no CC, entre elas no hino 516, que nas terceira a quinta estrofes falam deste rio (ou mar) ao qual as pessoas têm medo de passar, mas nao é o caso dos crentes, que não têm medo da morte.

7. este pedido para ser livre da perdição como está escrito dá a entender que o crente pudesse perder a salvação, o que não está de acordo com o ensino bíblico.

8. este hino fala de firmeza nas tribulações, no início do estribilho fala “vem dar-me paz…”, o que na verdade é sentimento normal querer a paz, só chamo atenção ao fato de que quando alguns dos primeiros crentes foram oprimidos eles oraram assim: “agora, pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra; enquanto estendes a tua mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu santo Filho Jesus. E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus.” (Atos 4:29-31). Por ter este contexto, da firmeza ante a tribulação a minha sugestão de troca da parte final do estribilho é invés de “vou perecendo longe da cruz” para “mesmo em meio a tribulações, em Ti confiar insisto” ou “mesmo em meio a tribulações, em Ti confiar insisto”.

9. esta é a doutrina do sono da alma, mas ao que me parece é ensinada pelos adventistas.

10. específicamente aqui discordo do pastor Márcio, autor deste artigo, pois observo que é um hino de linguagem extremamente poética, faz menção ao que temos por mais belo aqui flores, primavera, para descrever a beleza do lugar, ao modifica estas letras de linguagem poética para a que estamos habituados observaremos que não há heresia, pois repito, por ser nesa linguagem o hino não afirma que terá flores lá, por outro lado, entendo a preocupação do pastor até pelo fato dos hinos terem a tarefa de transmitir os ensinos bíblicos, assim sendo, a linguagem deve se evitar linguagem como esta, que é demasiada poética.

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Published in: on 17 de dezembro de 2010 at 3:07 am  Deixe um comentário  

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