Bill Ichter

  Bill e Jerry Carton Ichter (casados em 1949) apresentaram-se à Junta de Richmond em 1956. Foi o 1º primeiro missionário de música ao Brasil, e segundo no mundo. Bil Ichter, nosso pioneiro na música é casado com Jerry Catron Ichter desde 1949. Têm quatro filhos, Alana, Alan, Carlos e Nelson e estes dois últimos nasceram no Rio. Aliás, Bill Icther tem dois filhos nascidos no Brasil, duas noras brasileiras, três netos nascidos também no Brasil. Tem neto nascido na Korea; uma neta nascida na Alemanha; uma bisneta nascida na Itália, e uma bisneta nascida em Kenya. Isto é fantástico. É assim uma vida nas mãos do Senhor, onde a pátria é o mundo.
  A minha vontade é narrar toda a saga desta família após Bill e Jerry. É linda a história. Impressionante como quase todos os netos estão envolvidos com missões em diversas partes do mundo. Os frutos de amor e compaixão desta linda família estão espalhados por três gerações.
  Converte-se em 1943, quando fazia o Curso de Pré-Medicina na Faculdade, foi para a Guerra (Segunda Guerra Mundial) onde foi condecorado. Ao voltar da guerra muda o seu foco e fez o curso de Bacharel em Artes, com especialização em Música, na Universidade Batista de Louisiana onde, em 1985, foi eleito “O Ex-Aluno de Destaque”. O Mestrado em Música Sacra foi no Seminário Teológico Batista de Nova Orleans, em 1955. Estudou Regência com John Finley Williamson e Fred Waring e Isaac Karabchevsky, além de estudar música folclórica com Rossini Tavares Lima e música concreta com Diego Pacheco.
  No Brasil, ele deu aulas de música no Seminário do Sul/STBSB, para os alunos de Teologia. Ainda não existia o Curso de Música Sacra. Sobre este tempo Bill Ichter diz: – “Gostei das minhas aulas porque TODOS os alunos foram obrigados a estudar, e assim pude deixar sugestões para os futuros pastores. Organizou e dirigiu o Departamento de Música da Junta de Escolas Dominicais e Mocidade, que hoje depois seria a Superintendência de Música da JUERP.
  Durante anos tivemos e usufruímos de muitas dezenas de partituras e livros e coleções que saíram das mãos deste valoroso missionário, como cantatas, oratórios, antemas corais, arranjo para vozes femininas e masculinas e músicas avulsas. Os livros textos tinham como foco Hinologia, melhor ensino e canto congregacional tais como os quatro volumes de Se os hinos falassem o livro Vultos da música evangélica no Brasil da sua autoria, além de outros tais como A música e seu uso na Igreja que é uma compilação com vários autores. Bill pensou em todas as áreas musicais que nosso país precisava. Estas obras podem ser encontradas em várias bibliotecas e igrejas mais organizadas, que possuem um acervo bem arrumado. Esta semana mesmo um amigo tradutor e ministro de música precisava de uma fonte histórica para um hino e estava lá, em uma coleção editada e publicada pelo Bill Ichter, do ano de 1961.
  Se você encontrar alguns destes nomes: Nelson Mariante, Severino Parente, Jana Oliveira, Jason Oliveira, Carlos Leite, Alana Silva, Nala Silva, Jeremias Oliveira, Ronaldo Oliveira não precisa pesquisar muito longe. Todos estes são pseudônimos que ele usava. Não queria que seu nome aparecesse muito. Era uma época difícil, pois não tínhamos tantos compositores como hoje. Também uma justificativa do Bill era que ficava melhor aparecer um nome mais brasileiro, inclusive porque seus hinos eram muito usados em campanhas missionárias.
  No O Jornal Batista, escreveu durante 10 anos uma coluna chamada Canto musical. Não tínhamos ainda uma revista especializada como temos hoje – Louvor – e muitos músicos recortavam aquelas colunas, catalogavam e guardavam como preciosidade. Nestes tempos difíceis ainda bem que tínhamos o Bill Ichter, que sozinho saía pelas igrejas promovendo Clínicas de música, ensinando em várias áreas musicais e regendo grandes coros nas Cruzadas evangelísticas que tínhamos pelo Brasil e mais precisamente Maracanã e Maracanãzinho.
  Como foi dito acima, e sempre no Rio, foi professor de música no Seminário do Sul, IBER e no antigo Curso de Obreiras no Colégio Batista, além de dirigir a música da CBC – Convenção Batista Carioca.
  Edith Mulholland,, no livro Notas Históricas do HCC diz: “Na área de música Bill recebeu o “Prêmio Arthur Lakschevitz” em 1988, oferecido pela Associação dos Músicos Batistas do Brasil; o “Hines Sims Award” em 1980, pela Associação dos Músicos Batistas da Convenção Batista do Sul (EUA); e em 1990, o “Distinguished Service Award” oferecido pela Escola de Música do Seminário Teológico do Sudoeste de Fort Worth, Estado de Texas”.
  No livro citado acima podemos encontrar muitos dados interessantes sobre sua atuação nos arranjos e revisão das fontes do CC(cantor crsitão). Veja no livro as notas sobre os hinos: 526 e 603. Diz ainda a profª. Edith: “Bill foi chamado por Nilson Dimárzio, diretor de O Jornal Batista, de “grande missionário” por “sua espiritualidade e consagração, sua maneira de ser, sua conduta cristã, e pelo seu relacionamento com os nacionais”.
  Por tantos serviços prestados ao Rio recebeu em 1984 a medalha “Cidadão Honorário do Estado do Rio, além de medalhas militares. Interessante é que a vida do Bill Ichter sempre esteve ligada á música, mas quando pr. Waldemiro Tymchak, então secretário executivo o convida para ser seu grande ajudador e apoiador, lembro que até eu mesma não entendi. Sim, o que ele vai fazer em Missões Mundias? Vai abandonar a música? Ficou lá por dez anos, os seus últimos anos no Brasil, trabalhando na Junta como redator da revista O campo é o mundo e coordenando o trabalho pela Ásia, África e América do Norte. É assim o Bill. Deus o convoca, ele vai.
  Gostaria muito que todos os que chegam agora e estão batalhando pela boa música e seu melhor uso pudessem ler isto e entender que tudo que fazemos hoje, espalhados por este país, é fruto de quem veio antes e nos deixou um legado, que aprendemos com nossos professores, que aprenderam com estes pioneiros. O que será que vamos deixar para as futuras gerações?

NOTA: o texto acima foi transcrito do blog de Westh Ney, a qual contatou Bill Ichter recentemente e, no dia 10 de junho de 2009,  publicou a conversa que teve com ele, além de outras anotações, que segue a transcrição (no blog a parte seguinte vem antes da parte superior):

  Este ano William Harold Ichter completa 60 anos de ministério dedicado á Cristo. Bill Ichter é um brasileiro. A sua certidão de nascimento diz que nasceu em 11/12/1925, nos EUA, mas para todos nós – acho que até para ele – a história parece outra. Aliás, ele sempre foi conhecido como o mais brasileiro de todos os missionários. Torce até pelo Vasco de camiseta e tudo e ia aos jogos no Maracanã.
  Dia 09/10/08 perguntei-lhe por e-mail, o que trazia mais saudade ao seu coração de todas as suas realizações e criações aqui no Brasil. Respondeu assim: – De tudo que Deus permitiu que fizesse e realizasse durante os meus 35 anos no Brasil, eu sinto mais a falta dos brasileiros, a sua camaradagem, o seu calor humano, as suas amizades. É a resposta que dou para todos que por aqui perguntam.
  Em agosto de 1990, ele e sua esposa, a doce irmã Jerry (tradução do hino 185 HCC) saíram do Brasil – se aposentaram em junho do mesmo ano, voltando para a outra América, pois o serviço missionário tinha terminado por aqui. Lá durante oito (8) meses serviram como “Missionários locais”, no Centro de Treinamento Missionário da Junta de Richmond, a mesma que o sustentou no Brasil – convivendo com missionários recém nomeados.
  Também por nove anos foi Ministro para pessoas de Terceira Idade, na PIB de Minden, Louisiana, uma igreja vibrante com mais de 2.000 membros, onde 500 estão com mais de 55 anos. Dirigiu o Coro deste grupo e com o mesmo viajou, cantou em diversas reuniões levando também um conjunto de sinos e um pequeno conjunto de Dulcimers.
  Leiam a narração dele sobre este ministério: “ No inicio do meu ministerio na igreja em Minden, comecei a telefonar para todos da terceira Idade, no dia do seu aniversario. Para os homens, somente uma palavra, mas para as mulheres, cantava “Parabéns pra você,” em português. Mesmo aposentado da igreja agora, continuo esta pratica porque temos muitas senhoras viúvas, que moram sozinhas e aguardam ansiosamente este cântico”.
  Atualmente serve a Deus como diácono, canta em dois coros e dirige a musica congregacional, quando convidado. Esta igreja, onde ele congrega tem uma Casa para missionários em férias que leva seu nome: ICHTER HOUSE, em uma bonita placa de bronze.
  É capelão do Hospital local, onde visita todos os dias. Em cinco deste dias semanais, chega as 6h30 da manha para orar com as pessoas que se submeterão a cirurgias.
  Pedi-lhe que deixasse para nós uma palavra, vejam o que respondeu: 1. Mantenha-se firme na Fé. 2. Procure ter um bom relacionamento com o pastor com quem você trabalha. Não se esqueça que ele é o líder espiritual da igreja. 3. Não esqueça que o ministério da musica deve tentar ser significativo para todas as idades. 4. De uma maneira ou outra, procure dar mais ênfase na mensagem da música. A mensagem é de suma importância e a música, o instrumento que Deus usa para comunicar a mensagem. 5. Seja “adaptável.” Vivemos num mundo de mudanças, mas no seu desejo de adaptar, não comprometa os seus ideais. Os americanos têm uma expressão, “Quando joga fora a água do banho, não jogue fora o nenén”.

Fonte: http://blogdawesth.blogspot.com/2009/06/2-nossos-musicos-bill-ichter.html

Published in: on 23 de abril de 2010 at 11:37 am  Deixe um comentário  

História do hino 394 – Realidade

  Este hino apresenta, da maneiras mais significativas, três dos comoventes convites do nosso Senhor aos homens, seguidos pela resposta humana e seu resultado espiritual. De acordo com Bonar, ele baseou-se em João 1:16. O hino é uma “bela expressão da alegria da alma ao ser achada por Jesus”. Visto a ênfase bíblica em todos os hinos de Bonar, não é surpreendente achar também os seguintes versículos:
  Estrofe 1 – “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.Tomais sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas.” (Mateus 11:28, 29).
Estrofe 2  – “Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.” (João 4:14).
Estrofe 3 – “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (João 8:12).

Fonte: http://www.musicaeadoracao.com.br/hinos/historias_hinos/ha_187.htm

Published in: on 23 de abril de 2010 at 11:32 am  Deixe um comentário  

História do hino 390 – Nada falta

  Ira David Sankey, conhecido hinista americano, diz em seu livro My Life and the Story of the Gospel Hymns (Minha Vida e a História dos Hinos Evangélicos): 
  “Escreve o sr. Grape: Nossa igreja estava passando por uma reforma e o órgão foi confiado ao meu cuidado. Tive tanto prazer como nunca antes; deliciei-me tocando os cânticos da nossa Escola Dominical. Resolvi dar forma tangível a um tema que tinha em mente há algum tempo: escrever, se possível, uma resposta à bela peça do sr. Bradbury: ‘Jesus Tudo Pagou’. Fiz disto uma questão de estudo e oração e dei a público a música agora conhecida como a melodia do cântico ‘Nada falta’. Foi considerada muito pobre por meu coro e amigos, mas, minha querida esposa declarou persistentemente que era uma boa peça musical e que viveria. O tempo provou que o seu julgamento era correto.
  Pouco mais tarde o Rev. Sr. Schrick pediu-me que providenciasse qualquer coisa nova em música, e eu tinha o que lhe oferecer. Ao ouvir a peça ele expressou seu apreço por ela, e disse que a srª Elvina M. Hall havia escrito algumas palavras, as quais ele cria que iriam se adaptar bem à música. Dei-lhe uma cópia dela, e em breve foi cantada em várias igrejas e bem conhecida. Devido à sugestão de amigos, mandei uma cópia ao prof. Theodore Perkins, e esta foi publicada em ‘Sabbath Chords’. Sob a providência de Deus ela tem sobrevivido. Creio que não tem falhado em trazer algo de bom para os homens, e para a glória de Deus.”. 

História relacionada:

   Há uma história super interessante relacionada a este hino, segue: Na noite de ano novo de 1886, alguns missionários estavam realizando reuniões ao ar livre a fim de interessar os que por ali passavam para irem à missão que ficava próxima, onde seriam realizadas conferências mais tarde. Nada falta [o hino] foi cantado, e depois de um cavalheiro fazer um pequeno sermão, dirigiu-se apressadamente para a missão. Ouviu logo ruídos de passos atrás de si, uma jovem o alcançou e disse:
- “Eu o ouvi falando na reunião ao ar livre há pouco; o senhor crê que Jesus poderia salvar uma pecadora como eu?”. O cavalheiro respondeu que não havia dúvidas a respeito disto, se ela tivesse desejo de ser salva. Ela lhe disse que era uma criada e que havia abandonado o emprego naquela manhã depois de uma discussão com sua patroa. Ao estar vagueando pelas ruas no escuro, imaginando onde passaria a noite, a doce melodia do cântico a havia atraído, e ela aproximara e ouvira atentamente. Ao serem cantadas as diferentes estrofes sentiu que as palavras tinham algo a ver com ela. Através do serviço todo sentiu que ouvia exatamente aquilo que sua alma oprimida necessitava. O Espírito de Deus lhe havia mostrado quão pobre e miserável criatura era, e a levou a perguntar o que deveria fazer.
  Ao ouvir sua experiência, o cavalheiro a levou para a missão e a entregou às senhoras encarregadas. A jovem e desgarrada ovelha foi trazida a Cristo naquela noite. Foi providenciado lugar para ela na família de um ministro. Lá, ficou doente e teve que ser levada a um hospital. Rapidamente piorou e tornou-se evidente que não viveria mais por muito tempo. Certo dia, o cavalheiro que ela havia encontrado na noite de Ano Novo foi visitá-la no hospital. Após ler alguns versos escolhidos da Bíblia ele repetiu o seu cântico preferido: “Nada falta”. Ao chegar à quarta estrofe (Não encontrada no Cantor Cristão):
Quando do meu leito de morte
Minha alma liberta se levantar,
Então, havendo ‘Jesus tudo pago’,
Romperá as arcadas dos céus.
  Ela parecia desfalecer ante o pensamento da glória vindoura, repetia o coro, para ela tão precioso:
Meu pecado, sim,
Já na cruz pagou,
E por graça sem igual,
salvou-me meu Jesus.
  Duas horas depois, falecia.

Fonte: http://www.musicaeadoracao.com.br/hinos/historias_hinos/ha_541.htm, que cita Histórias de Hinos e Autores – CMA – Conservatório Musical Adventista.

Published in: on 23 de abril de 2010 at 11:28 am  Deixe um comentário  

William Edwin Entzminger

  William Edwin Entzminger (25 dez 1859-11 jan 1930)  [3, 4, 10, 11, 13, 19, 30, 53, 58, 68, 79, 87, 97, 128, 143, 145, 166, 172, 175, 187, 210, 211, 230, 248, 251, 266, 290, 304, 305, 306, 308, 309, 312, 313, 327, 328, 340, 341, 348, 355, 370, 371, 386, 387, 398, 407, 413, 417, 439, 448, 451, 453, 466, 488, 497, 499, 502, 503, 508, 514, 524, 528, 532, 533, 545, 547, 549, 553, 561, 562, 572, 574] foi, com William Buck Bagby, Zachary Clay Taylor, Salomão Luiz Ginsburg, Eurico Alfredo Nelson e James Jackson Taylor, um dos seis missionários pioneiros no Brasil. Entzminger, em abril de 1891, casou-se com Maggie Grace Griffith; o casal, enviado pela junta de missões estrangeiras da convenção batista do Sul dos EUA, sediada em Richmond, Virginia, chegou a Salvador (BA) em 11 de agosto de 1891. Acometido por febre amarela e malária, o casal pouco tempo depois foi para o Recife (PE). Na capital pernambucana, onde morreram os filhos Margarida, em 1891, e William Junior, em 1894, o casal permaneceu durante mais de sete anos.
  Em 1900, com sua esposa muito doente, Entzminger transferiu sua residência para o Estado do Rio de Janeiro (Nova Friburgo e Rio de Janeiro). Em janeiro de 190l, fundou “O Jornal Batista”. De 1901 a 1919, foi diretor deste periódico denominacional. Em 1904, verificou que estava leproso; tratou-se nos EUA e em 1908 retornou curado. Em 1911, Entzminger, juntamente com Salomão Luiz Ginsburg, Otis Pendleton Maddox, Amélia Joyce e Emma Paranaguá, foi nomeado pela Convenção Batista Brasileira, na assembléia realizada em Campos (RJ) para a Comissão de revisão final dos hinos do “Cantor Cristão” (OJB, 02 nov 1911, p.2).
  Em 1919, publicou “Lyra Cristã”, o primeiro hinário batista no Brasil com música (OJB, 10 jul 1919, p.12). Em 1920, viajou para os EUA, onde faleceu sua esposa Maggie Grace. Em 1921, foi residir em Petrópolis (RJ), mas trabalhava na Casa Publicadora Batista (antecessora da JUERP), no Rio de Janeiro. Em 1922, casou-se com a missionária Amélia Joyce. Entzminger faleceu e foi sepultado, em 11 de janeiro de 1930, no Cemitério Municipal de Petrópolis (OJB, 13 jan 2002).
  Pesquisamos as edições de “O Jornal Batista” publicadas entre 10 de janeiro de 1901 e 11 de janeiro de 1930. Curiosamente, essas datas marcam a fundação de “O Jornal Batista” (1901) e o falecimento de Entzminger (1930). Algo semelhante ocorreu na biografia de João Filson Soren: sua posse no pastorado da PIB do Rio de Janeiro (03 de janeiro de 1935) e seu falecimento (02 de janeiro de 2002). Depois de Salomão Luiz Ginsburg, foi o maior hinógrafo entre os missionários no Brasil. Entzminger escreveu, traduziu ou adaptou 72 letras de hinos para o Cantor Cristão (CC). Dos 72 hinos, menos de um terço deles (21) foram aproveitados no Hinário para o Culto Cristão (HCC).
  Entre 1904 e 1925, previamente 26 foram publicados em O Jornal Batista. Dos 26, foram abandonados 18 e aproveitados oito no HCC, que serão aqui comentados com o objetivo de mostrar as circunstâncias em que foram escritos por Entzminger. Dos 18 hinos previamente publicados em OJB e que foram abandonados pela Comissão do HCC forneceremos agora as épocas de publicação: 1904 (no.448-CC); 1908 (no.370); 1909 (nos.451, 466 e 502); 1910 (nos.128 e 497); 1911 (no.340); 1913 (no.53); 1916 (nos.187 e 413); 1917 (nos.58, 210, 251, 305 e 499);1918 (nos.97 e 355).
  “Tal qual estou” (CC-266, HCC-300) foi publicado em OJB (22 out1908, p.1), depois de Entzminger ter traduzido quatro das seis estrofes de Charlotte Elliot escritas em 1834 para o hino “Just as I AM”. A poetisa inglesa ficou inválida em 1821, quando tinha 32 anos de idade; foi a primeira hinógrafa a compilar um hinário para deficientes físicos (“The Invalid’s Hymn Book”, 1834-1854). Este hino foi traduzido quando Entzminger, em 1908, voltou dos EUA para o Brasil curado da lepra; ele, até então, dizia: “Tal qual estou, sem esperar que possa a vida melhorar, em Ti só quero confiar”.
  Ainda em 1908, sob o impacto da terrível doença, mas curado, Entzminger traduziu o hino “It is well with my soul”, de Horatio Gates Spafford (CC-398, HCC-329). Tendo passado por grande provação, Entzminger, tal como Spafford (que perdeu quatro filhas no naufrágio do transatlântico “Ville du Havre”), poderia escrever: “Se paz a mais doce me deres gozar, se dor a mais forte sofrer, oh! seja o que for, Tu me fazes saber que feliz com Jesus sempre sou!”. Este hino foi publicado em OJB (05 nov 1908, p.1), pouco tempo depois do “The Baptist Hymn and Tune Book” (1904).
  Inspirado pelo hino patriótico norte-americano “My country, ‘tis of thee”, de Samuel Francis Smith, Entzminger fez uma adaptação (“Do meu país Brasil, ó terra varonil, é meu cantar”), que a Comissão do HCC alterou em 1990. O hino (CC-574, HCC-600) foi dedicado aos alunos dos colégios evangélicos no Brasil (OJB, 06 abr 1910, p.2). É possível que Entzminger, então diretor de O Jornal Batista e residente no Rio de Janeiro, tenha ficado entusiasmado com a recente organização, pelo missionário John W. Shepard, do Colégio Batista do Rio. Na época, o Itamarati incentivava o intercâmbio cultural entre o Brasil e os EUA.
  O vetusto hino Rock of Ages, de Augustus Montague Toplady, foi traduzido em 1913 (“Rocha eterna, foi na cruz que morreste Tu, Jesus”, CC-371, HCC-307), quando Entzminger já estava em seu 20o. ano de ministério no Brasil (OJB, 31 jul 1913, p.2). O célebre hino “Stille nacht”, escrito por Joseph Mohr em 1818, foi traduzido do alemão para o inglês por John Freeman Young. Provavelmente usando essa versão inglesa, um século mais tarde o hino de Mohr foi traduzido por Entzminger (“Noite de paz! Noite de amor!”, CC-30, HCC-91, OJB, 01 nov 1917, p.1).
  Também em 1917, Entzminger traduziu outro hino famoso, o “Brighten the corner where you are”, escrito em 1912 por Ina Duley Ogdon, o que demonstra que Entzminger, em plena Primeira Guerra Mundial (1914-1918), procurava acompanhar o lançamento de novos hinos evangelísticos; deu-lhe o título “Brilha no meio do teu viver” (CC-417, HCC-488, OJB, 04 e 11 jan 1917, p.1). Das quatro estrofes do hino “Have Thine own way, Lord”, de Adelaide Pollard, Entzminger traduziu livremente três, sob o lema “Cristo, bom Mestre, eis meu querer” (CC-175, HCC-369); o hino tinha sido publicado em 1907 no “Alexander’s Supplement” para o “Northfield Hymnal”, compilado por George Stebbins, e na coletânea “Kingdom Songs” (1921). Sua esposa Maggie Grace tinha falecido recentemente quando Entzminger escreveu a letra do hino, o que é muito provável (OJB, 01 dez 1921, p.11). Não nos parece ter sido escrito quando seus filhos morreram (1891 e 1894) no Recife (PE); o hino de Adelaide Pollard foi originalmente escrito mais tarde (1902); nem quando viajou para os EUA (1904) para tratar-se da lepra (ver: Edith Brock Mulholland, HCC-Notas Históricas. Rio de Janeiro: JUERP, 2002, pp.286 e 287).
  Entzminger escreveu o estribilho (aproveitado no hino “Com alegria venho, ó Deus”, HCC-367) e as estrofes do hino “Aqui no mundo branda luz” (CC-528), que foram publicadas em 1925, sem a música de Robert Harkness (OJB, 08 jan 1925, p.13). Era um hino dedicado às crianças de nossas igrejas. Na época, Entzminger estava casado com sua segunda esposa, a missionária Amélia Joyce. Lamentavelmente, do CC não foram aproveitados, entre outros, os hinos nos. 53, 97, 210, 340, 370, 413, 451, 466 e 499; estes estavam entre os hinos mais queridos do povo batista no Brasil. Eram hinos de Entzminger. 

Fonte: http://www.abordo.com.br/nassau/top_hin.htm

Published in: on 22 de abril de 2010 at 9:02 pm  Deixe um comentário  

Salomão Luiz Ginsburg

  Salomão Luis Ginsburg, [7, 21, 22, 24, 37, 44, 46, 47, 56, 65, 69, 71, 89, 106, 107, 110, 111, 120, 124, 125, 126, 129, 140, 142, 147, 161, 163, 168, 171, 176, 184, 189, 194, 196, 197, 198, 200, 212, 215, 217, 218, 223, 226, 227, 233, 234, 243, 255, 263, 264, 269, 272, 287, 288, 295, 297, 301, 303, 310, 322, 325, 331, 333, 337, 339, 344, 345, 354, 356, 364, 369, 382, 389, 400, 401, 406, 410, 420, 426, 427, 429, 431, 432, 434, 435, 436, 437, 440, 445, 446, 449, 457, 462, 470, 471, 474, 475, 480, 487, 500, 517, 529, 552] de origem judaica, filho de um rabino, nasceu próximo a Suwalki, Polônia, em 6 de agosto de 1867. Dos 6 aos 14 anos, viveu em Koenigsberg, Alemanha, na casa de um tio materno, onde recebeu educação aprimorada. Quando voltou para casa, não concordou com a orientação paterna, pois este queria que ele se tornasse rabino e se casasse com uma jovem de 12 anos. Resolveu fugir. Foi para Londres e lá se converteu a Cristo. Começou a sofrer perseguições. Expulso da casa de outro tio com quem morava, foi deserdado e considerado morto pela família.
  Depois de vagar pelas ruas de Londres, Ginsburg foi convidado para o “Abrigo dos Judeus Convertidos”, permanecendo ali por três anos. Manifestando o desejo de pregar, estudou mais três anos na Escola de Treinamento Missionário Regions Beyond, em Londres. Teve grande alegria em compartilhar a sua fé, mesmo em face de perseguição. Numa ocasião foi terrivelmente espancado e deixado como morto num barril de lixo.
  Sentindo-se chamado para obra missionária, Ginsburg foi convidado por Sarah Kalley para vir ao Brasil. No caminho, passou seis meses em Portugal para estudar a língua; passagem encurtada pela sua publicação de panfletos apologéticos que causaram furor em altos círculos eclesiásticos do país. Como Paulo em Damasco, seus irmãos tiveram de mandá-lo fora do lugar antes que algo drástico acontecesse com ele.
  Chegando ao Rio de Janeiro em 1890, Salomão Ginsburg filiou-se à Igreja Evangélica Fluminense. Dirigia uma congregação da igreja e se sustentava vendendo Bíblias. Em novembro de 1891, depois de estudar a fundo o que a Bíblia dizia sobre o Batismo, foi batizado por imersão na Primeira Igreja Batista da Bahia, por Dr. Z. C. Taylor. Logo depois foi ordenado como pastor . Em 1892, foi comissionado missionário da Junta de Richmond. Ginsburg pastoreou a Primeira Igreja Batista do Recife, PE, Bahia [e também em] Campos e Niterói, RJ, além de trabalhar em Mato Grosso e Goiás, sempre evangelizando, sempre implantado igrejas. Por amor a Cristo, sofreu perseguições e prisões, mas nunca desfaleceu.
  Ginsburg casou-se com Carrie Bishop, que fora instrumento na sua chamada missionária, mas, após 4 meses de casados, ela faleceu na Bahia, vitima de febre amarela. Em segundas núpcias, casou-se com Emma Morton, missionária da Junta de Richmond. Tiveram sete filhos. Salomão Ginsburg fundou o Seminário Teológico Batista do Norte, foi secretário-cerrespondente-tesoureiro da Junta de Missões Nacionais e interessou-se pela evangelização dos índios. Colaborou com vários jornais evangélicos e escreveu em periódicos seculares. Foi também colportor, vendendo Bíblias em várias cidades do Brasil.
  Nos trabalhos de evangelização ao ar livre, Ginsburg usava um harmônio e seu grande talento musical. Escreveu muitos hinos belos e espirituais. O primeiro hino que traduziu foi Chuvas de Bênçãos, enquanto esperava para desembarcar pela primeira vez no Brasil. Depois de mudar-se para Recife, PE, publicou, em 1891, um hinário com 16 hinos, que chamou de O Cantor Cristão. Nos anos seguintes, continuou a adicionar hinos seus e de outros hinistas, até que, na 11ª edição constavam 106 hinos de sua autoria. O Pastor Manuel Avelino de Souza o chamou de “o Davi dos batistas brasileiros” cujos hinos são “verdadeiras mensagens e belas experiências cristãs, e (…) estão profundamente arraigados na alma dos crentes”. 

http://www.musicaeadoracao.com.br/hinos/historias_hinos/ha_113.htm

Published in: on 22 de abril de 2010 at 9:00 pm  Deixe um comentário  

História do hino 379 – Laços benditos

  O dr. John Fawcett era o pastor de uma pequena igreja em Wainsgate, e foi chamado para uma igreja maior em Londres, em 1772. Ele aceitou o chamado, e pregou o seu sermão de despedida. As carroças estavam carregadas com os seus livros e mobília, e tudo estava preparado para a sua partida, quando os seus paroquianos rodearam-no e com lágrimas em seus olhos pediram-lhe que ficasse. Sua esposa disse: “Oh, John, John, eu não posso agüentar isso”. – “Nem eu”, exclamou o bom ministro, “nós não iremos. Descarreguem as carroças e ponham todas as coisas nos lugares em que estavam antes.”. Sua decisão foi saudada com grande alegria por seu povo, e ele escreveu as palavras deste cântico em comemoração ao acontecimento.

Fonte: http://www.musicaeadoracao.com.br/hinos/historias_hinos/ha_603.htm

Published in: on 22 de abril de 2010 at 11:30 am  Deixe um comentário  

História do hino 496 – Rio da vida

   Ira David Sankey, conhecido hinista americano, diz em seu livro My Life and the Story of the Gospel Hymns (Minha Vida e a História dos Hinos Evangélicos): Numa tarde mormacenta, em julho de 1864, o dr. Lowry estava assentado à sua escrivaninha em Elliott Place, Brooklyn, quando as palavras do cântico Rio da vida lhe vieram à mente. Ele as escreveu rapidamente, e então sentou-se diante de seu órgão e compôs a melodia que agora é cantada em todas as Escolas Dominicais do mundo. Falando a respeito do cântico disse ele:
  “É música de banda, tem movimento de marcha, e por esta razão tornou-se tão popular, mas eu mesmo não lhe dou muito valor. Apesar disso, tenho ficado comovido em várias ocasiões ao ouvi-lo. Indo de Harrisburg a Lowisburg, certa vez, eu estava em um vagão cheio de lenhadores meio bêbados. De repente, um deles começou a cantar: ‘Rio da vida’, e eles o cantaram muitas vezes, repetindo o coro de uma forma selvagem e exuberante. Não pensei muito na música ao ouvir aqueles cantores, mas pensei que o espírito do cântico, e suas palavras tão frívolamente cantadas, poderiam ficar no coração destes homens descuidados, e influenciar-lhes a vida e finalmente elevá-los a realizar a esperança expressa no cântico. Outro fato em relação ao cântico foi evidenciado durante o centenário de Robert Raikes. Eu estava em Londres, e havia ido em uma reunião no Old Baily para ver alguns dos mais famosos obreiros de Escolas Dominicais de todo o mundo. Estavam presentes representantes da Europa, Ásia e América; sentei-me bem atrás, sozinho. Após vários sermões feitos em diversas línguas, eu estava prestes a sair, quando o presidente da reunião anunciou que o autor do cântico Rio da vida estava presente e chamou-me para frente, pelo nome. Homens aplaudiram, e senhoras abanaram seus lenços quando fui para a plataforma. Foi um tributo ao cântico, mas, eu senti, depois que tudo acabou, que havia feito algo de bom no mundo.” 

História relacionada

  Uma senhora americana, que havia recebido permissão para visitar o hospital militar do Cairo logo após terem trazidos homens feridos em uma escaramuça, escreveu:
“As três horas que pudemos ficar lá foram cheias de trabalho para o coração e as mãos. Um jovem soldado de um regimento da Escócia, atraiu meu interesse especial. Ele havia perdido um membro, e o médico dissera que ele não sobreviveria àquela noite. Parei perto do seu leito para ver se havia algo que pudesse fazer por ele. Estava deitado, com os lhos fechados, e ao moverem-se seus lábios, pude ouvi-lo murmurar ‘Mamãe, mamãe’. Mergulhei meu lenço numa bacia de água gelada e banhei-lhe a testa que ardia em febre.”
- “Oh, isto é bom:” disse ele, abrindo os olhos. Vendo-me inclinada sobre ele, tomou minha mão e a beijou. “Muito obrigado, minha senhora; isto me faz lembrar de minha mãe.”
“Perguntei-lhe se poderia escrever para sua mãe. Ele respondeu-me que não, pois o cirurgião havia prometido fazê-lo, mas pediu-me que cantasse para ele. Hesitei por um momento, e olhei ao redor. Os últimos raios de sol incidindo sobre o Nilo chamaram minha atenção e me fizeram pensar no rio como cujas correntes alegram a Cidade de Deus. Comecei a cantar baixinho: ‘Rio da vida’. Vi cabeças erguerem-se ansiosas para ouvir melhor, e logo mais, vozes de tenor e baixo fracas e trêmulas uniram-se ao coro:
Esse gozo nós teremos,
Por Jesus, o bom Senhor
Para sempre viveremos
Com o nosso Redentor
“Quando acabamos o cântico, olhei para a face do menino, pois ele não tinha mais do que vinte anos, e perguntei: ‘Você estará lá?!’”
“Sim, eu estarei, pelo que o Senhor Jesus fez por mim”, respondeu ele, com seus olhos azuis brilhando, enquanto uma luz que nunca incidiu sobre mar ou terra irradiava em sua face. Lágrimas encheram meus olhos, ao pensar naquela mãe, naquele distante lar na Escócia, atenta, esperando por notícias de seu filho soldado, que estava nos últimos momentos de vida num hospital egípcio.
“Volte, minha senhora, volte” eu ouvi por todos os lados ao deixar a barraca hospital. Eu voltei, mas não encontrei mais meu menino escocês, pois ao amanhecer ele descansara. 

Fonte: http://www.musicaeadoracao.com.br/hinos/historias_hinos/ha_553.htm, que cita Histórias de Hinos e Autores – CMA – Conservatório Musical Adventista

Published in: on 22 de abril de 2010 at 11:15 am  Deixe um comentário  

História do Cantor Cristão

  O Cantor Cristão é um hinário (um livro contendo um conjunto de hinos, músicas cristãs tradicionais de várias épocas) da Igreja Batista publicado pela Juerp (Junta de Educação Religiosa e Publicações/criada pela CBB – Convenção Batista Brasileira, em 1907). Em sua totalidade o Cantor Cristão contém 581 hinos de edificação a Deus. Hinário das Igrejas Batistas do Brasil – O Cantor Cristão é uma rica herança pertencente aos batistas brasileiros. O hinário, o segundo dos evangélicos brasileiros (o primeiro, Salmos e Hinos, foi publicado em 1861), publicado em 1891 e a sua edição inicial continha somente 16 hinos, compilados por Salomão Luiz Ginsburg (1867- 1927), auxiliado pelo missionário metodista George Benjamin Nind (1860-1932), que trabalhou em Pernambuco (1882-1892).

  As edições se sucederam, sendo sempre acrescidas de hinos novos. Em 1921 saiu a 17ª edição do hinário, já com 571 hinos, dos quais 102 eram de autoria ou tradução de Salomão Luiz Ginsburg (nascido na Polônia em 6 de agosto de 1867 – chegou no Brasil em 31 de março de 1927/ foi um ministro evangélico e um missionário batista no Brasil). Três anos mais tarde, em 1924, o hinário saiu pela primera vez com música, pois até então só continha as letras com os hinos. Desde que Salomão Luiz Ginsburg editou o Cantor Cristão em 1891, muitas outras pessoas ilustres tem prestado a sua colaboração. Willian Edwin Entzminger (72 hinos), Henri Maxwell Wright (61 hinos), Manoel Avelino de Souza (29 hinos) e Ricardo Pitrowsky (23 hinos) são os que mais letras ou traduções fizeram no atual Cantor Cristão.

  Salomão Ginsburg chegou ao Brasil no dia 10 de junho de 1890. Este judeu convertido deu uma das mais notáveis contribuições dos batistas brasileiros, O Cantor Cristão, publicado em primeira edição em 1891 (somente um ano após a sua chegada). No atual Cantor, 104 hinos levam o nome de Salomão Ginsburg, a maioria destes sendo traduções. Mesmo hoje, no Hinário para o Culto Cristão, há 30 hinos que levam o nome de Ginsburg. William Edwin Entzminger, que serviu no Brasil nos anos 1891-1930 é outro missionário que grandemente contribuiu para a hinódia dos batistas brasileiros. No atual Cantor Cristão, há 72 hinos assinados por ele, sendo 16 destes originais. O Hinário para o Culto Cristão ainda retém 21 hinos de Entzminger. O amor deste missionário pelo Brasil se salienta em dois hinos dele que são os mais cantados por nosso povo.

  Um destes é Oração pela pátria, hino que o saudoso pr. José dos Reis Pereira chamou “A Marselhesa dos batistas brasileiros”. O outro hino também tem um teor patriótico. Realmente, é uma experiência inesquecível ouvir uma congregação de batistas brasileiros cantar com seu incomparável entusiasmo, “Ah! Se eu tivesse mil vozes para o Brasil encher com os louvores de Cristo, que singular prazer!”. Outros missionários que também cooperaram com o Cantor Cristão foram Robert Neighbor, que atuou no Brasil somente de 1893-1895, mas contribuiu com cinco traduções e um hino original. Arthur Beriah Deter (1901-1940), quatro traduções; Albert L. Dunstan (1900-1937), três traduções; Otis Pendleton Maddox (1905-1945), uma tradução.

  Uma das bênçãos que Deus nos deu e que jamais podemos abandonar é o nosso amado Cantor Cristão. Eu acredito que os hinos do Cantor Cristão nos trás maravilhosas e gratificantes mensagens, e certamente foram escritas e deixadas a nós, por homens inspirados pelo Espírito Santo de Deus, em seus momentos de angústias e tribulações; e também em momentos dos quais precisavam tomar decisões que dependiam só e unicamente da vontade de Deus. Não se trata de um substituto da Palavra de Deus, mas é sim, sem dúvida alguma, um complemento que nos fala do verdadeiro amor de Cristo, dos verdadeiros cristãos, das nossas falhas, do modo como devemos proceder estando na posição de servos livres do Senhor, de como podemos ser santos. São hinos extraídos e baseados na Palavra de Deus.

  A 36ª edição é histórica, pois pela primeira vez o Cantor Cristão saiu completamente documentado e com vários índices que farão dele um hinário muito mais útil. Nos fins do ano de 2004, quando a JUERP começou a programar a celebração que deveria marcar o ano de 2007, com o centenário da Convenção Batista Brasileira, esta direção resolveu encomendar à sua área de música, uma nova edição do Cantor Cristão, edição 37ª, pois afinal, 35 anos teriam se passado desde a última revisão feita. Que o Cantor Cristão seja útil para o engrandecimento do evangelho nesta grande nação brasileira.

1ª. edição – 1891 – com 16 hinos lançada em julho/agosto de 1891, em Recife (PE).
2a. edição – 1891 – com 23 hinos, lançada em novembro de 1891, em Salvador (BA).
4ª. edição – 1893 – com 63 hinos, lançada em Niterói (RJ), em setembro de 1893.
5a. edição – 1894 – com 113 hinos, impressa na Tipografia Evangélica Batista, em Salvador (BA)
6ª. edição – 1896 – Ginsburg trabalhou em Campos (RJ) de outubro de 1893 a setembro de 1900. Com 153 hinos, lançada em Campos (RJ).
7ª. edição – 1898 – com 210 hinos, impressa na Tipografia “As Boas Novas”, em Campos (RJ).
8ª. edição – 190l – lançada com os 210 hinos da 7ª. edição, acrescida de 15 hinos de Ira David Sankey (1840-1908); esgotada em setembro de 1902.
9ª. edição – 1902 – com 224 hinos. No prelo, em setembro de 1902; lançamento anunciado para dezembro de 1902; esgotada em agosto de 1903.
10ª. edição – 1903 – Editada pela Casa Publicadora Batista, no Rio de Janeiro (DF), com 225 hinos. Os exemplares do Cantor Cristão foram depositados nas residências dos missionários J. J. Taylor, A. L. Dunstan, Z. C. Taylor, S. L. Ginsburg, Eurico Nelson e J. E. Hamilton.

11a. edição – 1907 – Desde outubro de 1906 preparada por Ginsburg em Recife (PE), que solicitou aos leitores de OJB hinos novos para o Cantor Cristão. Com 300 hinos e respectivo índice, pronta para impressão em fevereiro de 1907; lançada em junho de 1907, por ocasião da organização da Convenção Batista Brasileira; quase esgotada em fevereiro de 1910; de Recife (PE) foi enviada ao Rio de Janeiro (DF) para ser impressa na Casa Publicadora Batista. De 1900 até outubro de 1909, Ginsburg trabalhou no campo batista pernambucano.
12. edição – 1911 – Durante os dez primeiros anos de OJB (1901-1911) somente a letra dos hinos era publicada. No início da década de 1910 começaram a surgir as letras com as respectivas músicas, enquanto não era possível publicar a edição musicada do Cantor Cristão, o que só aconteceria em 1924.

  Com 400 hinos, preparada por Ginsburg, em Salvador (BA), desde janeiro de 1910. Com os lucros da edição, Ginsburg planejava publicar o Cantor Cristão com Música. Ficou a 12ª. edição pronta para impressão em fevereiro de 1911. Em março deste ano, foi lançado um Suplemento, com 70 hinos, anunciado em A Mensagem, p. 29. Editada em Salvador (BA), mas impressa no Porto (Portugal), com índice dos assuntos, a 12ª. edição foi distribuída na assembléia da Convenção Batista Brasileira, em Campos (RJ), em junho de 1911, quando Ginsburg foi eleito relator da Comissão de Elaboração da edição musicada do hinário, integrada por W. E. Entzminger, O. P. Maddox, E. Paranaguá e A. Joyce. A Convenção Batista Brasileira adotou oficialmente o Cantor Cristão como hinário da Denominação Batista no Brasil. O Cantor Cristão com Música seria impresso na Alemanha, num formato semelhante ao do Salmos e Hinos.

  Ginsburg tinha informado, no periódico da Comissão de Evangelização da Bahia (A Mensagem, p. 46) que os originais da 12ª. edição achavam-se nas oficinas gráficas em Portugal e comentou: “ … os hinos passaram ao cadinho de uma crítica rigorosa e, desse modo, estão, sob o ponto de vista doutrinário, dignos de apreciação … as métricas e linguagem dos hinos correspondem a toda expectativa … o belo arranjo do índice de assuntos auxiliará muito aos diretores das reuniões”.

  Em 20 anos (1891-1911) foram vendidos 65 mil exemplares do Cantor Cristão para 10 mil membros em 140 igrejas batistas existentes no Brasil. Na década 1911-1920 dobrou o número de batistas no Brasil. A década de maior crescimento numérico dos Batistas correspondeu à década de maior número de letras e/ou músicas de hinos publicadas em O Jornal Batista! Em 1920, a tiragem semanal de OJB era de 5 mil exemplares!

13ª. edição – 1912 – Em fevereiro de 1912, Salomão Luiz Ginsburg (1867-1927) foi a Portugal para contratar com a Tipografia Mendonça (Porto, Portugal) a impressão desta edição.
14ª. edição – 1914 – Enquanto não ficava pronta, foi lançado um folheto com 42 hinos no vos. Editada com 450 hinos no Rio de Janeiro (DF), mas impressa no Porto (Portugal). Pela segunda vez, o Cantor Cristão continha índice de assuntos.

  Na assembléia da Convenção Batista Brasileira, no Rio de Janeiro, em junho de 1914, foi distribuído um “souvenir” com hinos publicados em O Jornal Batista. Nessa assembléia foi eleita a Comissão do Hinário: S. L. Ginsburg, W. E. Entzminger e O. P. Maddox; revisores gramaticais: Adalbert Nicholl e Amelia Joyce; Ginsburg reeleito para a relatoria; eles confessaram: “ainda não é o que almejávamos que fosse”.

  Foi anunciada a impressão do Cantor Cristão com Música, a ser lançado na assembléia da CBB em 1915; a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) prejudicou os planos de Ginsburg.

15ª. edição – 1917 – Anunciado o lançamento para o fim do ano de 1916 ou princípio de 1917. Ginsburg afastou-se da Comissão do Hinário, possivelmente por discordar de Entzminger a respeito da edição do Cantor Cristão com Música; eles trabalharam juntos (1914-1920) na administração da Casa Publicadora Batista, mas nem sempre concordaram na elaboração do hinário.

16ª. edição – 1918 – Preparada em plena Primeira Guerra Mundial. Impressa com 500 hinos nas oficinas gráficas da Casa Publicadora Batista, no Rio de Janeiro (DF). Esgotada em outubro de 1919.

17a. edição – 1921 – A CBB tinha convidado, em 1920, Manoel Avelino de Souza, Ricardo Pitrowsky e Emma Paranaguá para a revisão das letras dos hinos e a publicação desta edição; com a substituição de E. Paranaguá por W. E. Entzminger, foi feita nova revisão. Continha 571 hinos. Foram impressos 15 mil exemplares. Lançada em março de 1921; esgotada em dezembro de 1922.

18a. edição – 1924 – Precedida pela coletânea de hinos evangelísticos, a ser usada até a publicação da 18ª. edição, esta estava em preparo desde 1922; continha só letras de 578 hinos. Impressa e lançada no Rio de Janeiro (DF).

1a. edição com música – 1924 – Planejada durante 13 anos (1911-1924). Em 1922 foram comprados os tipos com sinais musicais. A Casa Publicadora Batista encarregou Ricardo Pitrowsky de preparar a la. edição com música; ele apresentou proposta de emendas das letras dos hinos. Desde 1922 estava sendo impressa, por partes, nas oficinas gráficas da CPB, no Rio de Janeiro (DF). Continha 578 hinos. Em fevereiro de 1923 foi lançado o primeiro fascículo, com 51 hinos.

2ª. e 3ª. edições com música – 1930 e 1935 – Como ensinou Henriqueta Rosa, “edição é o lançamento de uma obra; se esta sofrer revisão e/ou acréscimo, e for reeditada, será uma nova edição; porém, se se tratar de uma simples reimpressão em tudo idêntica à anterior, sem qualquer alteração, será denominada tiragem”. Por não termos em mãos estes hinários de 1930 e 1935, não estamos em condições de saber se eram realmente edições ou tiragens.

28ª. e 29ª. edições – 1941 e 1954 – Idem, em relação aos hinários de 1930 e 1935.
30ª. edição – 1956 – Ainda com 578 hinos, editada pela Casa Publicadora Batista e impressa em suas oficinas gráficas (Rua Silva Vale, 781, Tomaz Coelho), no Rio de Janeiro (DF).

31ª. edição – 1958 – Conforme determinação da assembléia convencional de 1958, foi distribuída entre líderes da CBB para apreciação em caráter experimental. Editada e impressa pela Casa Publicadora Batista. A Comissão Revisora (Manoel Avelino de Souza, Ricardo Pitrowsky, Moysés Silveira e Alberto Portella) propôs à CBB que no Cantor Cristão fossem conservados 460, sendo suprimidos 118 hinos da 18ª. edição (1924); a revisão não foi bem recebida; durante 13 anos (1958-1971), o Cantor Cristão ficou praticamente intocado e desconhecido pelo público batista.

32a. e 33ª. edições – Entre 1958 e 1963, houve circulação restrita aos líderes da Convenção Batista Brasileira.
34ª. edição – 1964 – Com 580 hinos, tendo sido elaborada por Manoel Avelino de Souza e Ricardo Pitrowsky, foi revista por Werner Kaschel, José dos Reis Pereira e Mário Barreto França, em janeiro de 1963, para corrigir a linguagem e atualizar a ortografia. Impressa pela CPB no Rio de Janeiro.

35ª. edição – Não sabemos se era realmente uma edição ou uma tiragem. As sucessivas impressões, que alteraram os textos dos hinos, talvez não possam ser consideradas edições. Em 1968, Joan Riffey Sutton fez intensa pesquisa hinológica.

36a. edição – 1971 – Elaborada pela Comissão integrada, até 1962, por Manoel Avelino de Souza (1886-1962) e Ricardo Pitrowsky (1891-1965), foi revista por Werner Kaschel, José dos Reis Pereira e Mário Barreto França, assessorados por Bill Ichter na parte da documentação. Continha 581 hinos. Editada pela JUERP e impressa na CPB, no Rio de Janeiro (RJ). Características: acréscimo de índices e documentação hinológica.

  Na Apresentação, redigida em julho de 1971, Bill Ichter informou: os hinos estão todos com ortografia atualizada. A lei no. 5.765, sancionada em 18 de dezembro de 1971, aprovou alterações na ortografia da língua portuguesa. Observação: com a supressão de quatro hinos e adaptação na letra de 17 hinos, a 36ª. edição do Cantor Cristão foi adotada, em 1974, pela Convenção Baptista Portuguesa.

4ª. edição com música – 1971 – Publicada sob a supervisão do Departamento de Música da JUERP, dirigido por Bill Ichter, que foi auxiliado por Henriqueta Rosa Fernandes Braga, Antônio Azeredo Coutinho e Ivo Augusto Seitz. Impressa pela CPB. Continha 581 hinos e 8 índices. Reproduzia as músicas e as letras da 34ª. edição (1964). Características: correção da harmonia e introdução de novos termos musicais e novos cabeçalhos.

37ª. edição – 2007 – Editada pela JUERP (Rio de Janeiro, RJ) e impressa pela Geográfica (Santo André, SP). Contém 581 hinos. Lançada em janeiro de 2007. Preparada pela comissão integrada por Leila Christina Gusmão dos Santos (relatora), Marilene Coelho (letras) e Marcelo Yamazaki Carvalho (musicografia). Talvez a mais importante tarefa tenha sido a verificação da métrica dos hinos. 

Fonte: http://www.letras.com.br/biografia/cantor-cristao

Published in: on 22 de abril de 2010 at 11:06 am  Deixe um comentário  

História dos hinos

  Chegou ao fim hoje a postagem de hinos do Cantor Cristão, estou alegre com o resultado final e pelas palavras de incentivo que recebi, na pessoa de Rogério Ferreira, um dos leitores assíduos do blog, gostaria de agradecer a todos internautas. Amanhã, começo uma nova fase, que terminará no dia 10.06.10, onde serão publicadas as histórias de alguns hinos, bem como a biografia de alguns autores/tradutores/compositores. Nesta fase peço colaboração dos irmãos, que me poderão ajudar das seguintes maneiras: a) me enviando a história da composição de um dos hinos; b) me enviando uma história interessante ou um fato histórico sobre qualquer dos hinos; c) me falando qual o título original de um hino, pois há sites especializados, nos quais, se eu souber o título original do hino, poderei ler e traduzir. Peço, no entanto, que, em qualquer dos casos, me envie a fonte para dar os devidos créditos.

  A seguir tem a relação dos hinos que já tenho história são: 7, 8, 14, 30, 31, 39, 44, 46, 50, 60, 62, 79, 75, 82, 92, 97, 101, 108, 112, 132, 135, 137, 143, 147, 148, 151, 154, 155, 159, 160, 161, 175, 176, 188, 195, 198, 222, 259, 266, 274, 281, 283, 287, 289, 291, 294, 296, 301, 303, 304, 306, 314, 327, 328, 329, 343, 344, 347, 349, 354, 359, 366, 371, 375, 377, 379, 386, 390, 394, 398, 401, 406, 407, 416, 419, 421, 422, 437, 465, 466, 476, 488, 496, 508, 514, 542, 565, 566, 574, 578, 579. Meu email é professorobert (arroba) yahoo (ponto) com, é só por o sinal invés da palavra.

  A idéia desta fase é, ao mostrar as histórias dos e dos homens, conhecer das dificuldades que muitos enfrentaram, e apesar das adversidades foram servos frutíferos, desse modo encorajar os servos de Deus, da atualidade, a fazerem o mesmo, frutificar sempre e isso para a glória de Deus. Relebrando que para ouvir os hinos (me refiro aos hinos e nao biografia o história) basta passar o mouse sobre o link, daí abrirá uma janela, é só preciso clicar no play, daí se poderá ver a letra e ouvir o áudio, ainda é possível mover essa janela, que abre, para tanto é só passar o mouse na barra superior, daí vai aparecer uma seta apontando para cima/baixo/esquerda/direita, com isso é só mover a janela, como visto nem é preciso clicar no link, o que fará o internauta sair do blog e ir para o Youtube.

Published in: on 21 de abril de 2010 at 10:27 am  Deixe um comentário  

Hino 581 – A única Esperança

Do Amapá ao Rio Grande,
Do Recife a Cuiabá,
Grita a angústia que se expande:
A verdade onde estará?
Em São Paulo, no Acre ou Minas,
Em Brasília ou Salvador,
Proclamemos as divinas
Boas-novas do Senhor!

Cristo é a única Esperança
Neste mundo tão hostil,
Para a santa liderança
Do Evangelho no Brasil!

Nossa Pátria amada e imensa,
Nosso povo humilde e bom,
Tem por meta a recompensa
Do celeste e eterno dom;
Do Oriente ao Ocidente
E do Norte so Sul, feliz,
Cada qual se torne um crente
Para a bênção do país.

Na campanha brasileira
Para evangelização
Seja a fé nossa bandeira,
Nossa espada, a salvação;
E por lema da porfia
Que garante o céu, além:
‘Trabalhar enquanto é dia,
Pois a noite perto vem!’

link http://www.youtube.com/watch?v=JLBhxiLYnjA

Published in: on 21 de abril de 2010 at 2:19 am  Deixe um comentário  
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